Em tempos atuais, destacam-se nas relações de trabalho e também nas relações pessoais, aqueles que apresentam habilidade de controle emocional e capacidade de adaptar-se as situações de maneira saudável, respeitando a si mesmo e aos demais.
Parece fácil, mas será que na prática esta simplicidade é perceptível? Pode-se dizer que sim, se o início for um elemento essencial e que qualquer pessoa deve dominar por completo: o autoconhecimento. Existe alguém mais capacitado para falar e descrever sobre si mesmo que a própria pessoa? Existe algum caminho para se percorrer com maior destreza do que o seu interior, seu modo de ser, agir e lidar com as emoções e sentimentos? Não deveria existir, mas nem todo mundo conhece a si mesmo na sua integralidade, reconhecendo seus limites, fragilidades, pontos fortes e fracos e é exatamente neste ponto que começa a apresentar falhas na inteligência emocional, pois inicia-se nesta questão o diferencial em lidar com as emoções.
Um indivíduo emocionalmente inteligente é aquele que consegue identificar, nomear e controlar as suas emoções com maior facilidade e menos tensão, além de usufruí-las em benefício próprio. E como conseguir tudo isso se ainda não passou pelo processo de autoconhecimento? Tem a ver com o modo de lidar e encarar os próprios sentimentos e emoções, assim como os dos outros, colocando-se na direção certa conforme cada situação, resultando em toda a diferença entre o equilíbrio e a disfunção. Ou seja, a forma como se administra os seus sentimentos dentro de si e em suas relações proporciona o caminhar rumo a inteligência emocional (SBCoaching, 2019.).

Quanto mais controlar os seus sentimentos, sendo o verdadeiro autor da sua vida e responsável pelos resultados, é natural que o sentimento de bem-estar apareça e se faça presente de maneira efetiva. A relação entre inteligência emocional e satisfação pessoal é direta: quanto maior for uma, maior também será a outra. E é fácil entender o porquê, tudo tem que estar muito bem resolvido dentro de você primeiro (SBCoaching, 2019.)
O título deste artigo faz refletir em quanto lidar com o autoconhecimento já ajuda no manejo da inteligência emocional, sendo uma capacitação muito promissora num caminho que se tem a possibilidade de encantamento e conhecimento, rumo ao melhor objetivo de sua vida, ao encontro do bem-estar e da satisfação pessoal. Ser otimista, enxergar sempre o lado positivo das coisas e lembrar que cada situação possui diversas saídas contribui ainda mais para este encontro.
Porém você pode pensar e identificar que é muito difícil, em meio a correria e ao stress cotidiano, manter-se feliz e realizado com a sua vida. Pollyanna (1913), da escritora americana Eleanor H. Portes, trouxe consigo uma grande onda de otimismo nos Estados Unidos na época do seu lançamento. Esta obra conta a história de vida da pequena Pollyanna, e destaca a sua habilidade de enxergar as situações mais adversas sempre pelo lado positivo, do “copo cheio”, o que chama de “Jogar o Jogo do Contente”, brincadeira esta que o pai lhe ensinara na tentativa de ajudá-la a lidar com as dificuldades da vida. E pode-se dizer que no caso dela não foram poucas, a pequena tinha 12 anos de idade e acabara de perder seu pai, e anteriormente já havia sofrido com a morte da mãe e de seus irmãos. Estando órfã é levada para morar com um familiar mais próximo, sua tia Paulina, mulher sozinha e que trata a Pollyanna da maneira mais distante e fria possível, provendo a ela somente o básico e nada além disso.
Todavia apesar de todas estas adversidades a pequena menina encara a vida com otimismo, vê em toda e qualquer situação algo positivo, não importa o quão difícil seja, na verdade, para ela, quanto mais difícil mais emocionante fica o jogo. Pollyanna nos ensina a viver uma vida mais colorida e cheia de graça, não importando as adversidades. A ideia do jogo é simples, mas difícil de colocar em prática: sempre que alguma situação complicada ou ruim acontecer, deve-se pensar de maneira positiva e conseguir enxergar ensinamento e oportunidade frente aquela experiência, seja para seu próprio bem ou para o de outras pessoas. Tentar “Jogar o Jogo do Contente” pode ser uma nova forma de visão de mundo e de ressignificação das nossas vivências (BETTONI,2017).
A Psicologia Positiva vem neste mesmo caminho, apresentar que a vida pode ser melhorada através de um olhar positivo dos fatos, sentimentos, emoções e acontecimentos. Afeta a forma de ver, perceber e experienciar o mundo. Emoções positivas são desenvolvidas quando se aprende a apreciar o belo, elogiar as pessoas e a dizer claramente o que se espera da vida. Não é esquecer ou negar que existe maus momentos, mas sim retirar lições deles. A vida fica mais leve, é olhar para as várias possibilidades e perceber que existe sempre uma forma adaptativa de encará-la.
De acordo com Martin Seligman (2002), um dos criadores do conceito da Psicologia Positiva, a psicologia tem a possibilidade de ir além de reparar o que está errado, identificando e reforçando o que existe de melhor nos indivíduos, pois o reconhecimento das virtudes humanas pode contribuir para a prevenção das patologias e das feridas. Em resumo, propunha tirar o foco da dor e ampliar o campo de visão. Na prática, o seu objetivo central é buscar nas vivências e experiências das pessoas aspectos positivos que lhes ajudem a ter maior qualidade de vida, bem como a entender e lidar melhor com suas emoções, se relacionar mais positivamente com as pessoas ao seu redor e a observar sua história, suas forças e qualidades sob uma perspectiva mais otimista também (IBC, 2018).
Ser inteligente emocionalmente, envolve criar e contribuir para um ambiente mais saudável e harmonioso, seja no convívio social, familiar ou profissional. Uma vez que inúmeras habilidades estão presentes, como capacidade de acordos e de resolução de conflitos, assertividade e empatia. No trabalho tal habilidade impede também que você se coloque em situações difíceis, como por exemplo aceitar realizar uma tarefa num prazo que você sabe que não pode cumprir.
É mais fácil para pessoas com essas habilidades separar o estresse e frustrações do ambiente de trabalho da vida pessoal. São pessoas que adoecem menos e têm maior qualidade de vida, e por estes motivos são mais contratáveis e mais satisfeitas pessoalmente. O colaborador com boa inteligência emocional apresenta melhor capacidade de adaptação, e na hora de se considerar uma promoção, tais análises são indispensáveis. Já por outro lado, o descontrole emocional e alterações de humor desencadeiam inúmeros problemas no ambiente de trabalho, bem como conflitos mal resolvidos que podem gerar desconforto e constrangimento, afetando o trabalho em equipe e a comunicação de maneira geral.
Se, você perceber que alguns comportamentos têm resultados negativos, é preciso pensar em alternativas. Explosões emocionais não são formas saudáveis de lidar com frustrações, e certamente não são apropriadas para o ambiente de trabalho. Aprender a controlar as reações emocionais, é de extrema importância, porém, apenas segurar as explosões sem lidar com os sentimentos pode contribuir para o adoecimento. É preciso realizar um trabalho a mais nesse processo: a “digestão” da emoção, sem fingimento que resolveu o problema apresentado. Controlar as emoções é diferente de ignorar seus sentimentos e fugir de conflitos, ao contrário é necessário respirar fundo e se acalmar, posteriormente viver este desconforto de maneira construtiva e plena. Por exemplo, quando estiver sozinho, pare e nomeie seus sentimentos, assumindo que sentiu raiva, que ficou magoado, que se se percebeu feliz ou entusiasmado, e com isso dar vazão à explosão emocional de forma construtiva, observar as reações às diferentes situações, pensar em como se comportou, no que te levou a agir daquela forma, o que desencadeou tais emoções e no que estava sentindo, qual a intensidade e as formas que se expressou, e descobrir quais estratégias de enfrentamento funcionam para você.
Tudo isso é muito cativante, mas como fazer para se manter saudável em tempos de pandemia? Como não se sentir descontrolado emocionalmente frente as inseguranças que o mercado de trabalho nos coloca, onde a economia se encontra fragilizada e põe em dúvida as manutenções de cargos dos mais altos até os de menores remuneração? Como não se sentir estressado e ansioso estando mais tempo em casa, com a socialização reduzida e tendo que lidar com a energia exacerbada das crianças que estão afastadas das escolas e das atividades extracurriculares? Enfim como se manter sereno e com sensações de bem-estar, neste momento?
O autoconhecimento permite se perceber desta ou daquela maneira e saber como lidar com as situações, a possibilidade de se reconhecer frágeis em vários momentos, aceitar tais limitações, mas não se permitir estagnar, e sim sair da zona de conforto em busca de maneiras adequadas de lidar com o mundo. Pode sim apresentar falhas, uma vez que este momento gera desconfortos emocionais, mas o interessante é não se entregar aos apuros e buscar “Jogar o Jogo do Contente”, procurando meios de tirar aprendizados destas situações experimentadas.  É saber até onde consegue ir e como será este caminho, ou de certa forma, apenas delinear os passos a se seguir, e simplesmente ir.
Pessoas que aprendem a lidar com a Inteligência Emocional sabem pensar, sentir e agir de forma inteligente e consciente, e não permitem que as suas emoções administrem sua vida e se acumulem de forma a atrapalhar seu trabalho e o seu convívio (VIEIRA, 2020).
Enfim, a inteligência emocional permite que você controle sua vida e mantenha sua sanidade. Faz você ser saudável mentalmente, controlar ansiedade, irritação, tristeza, ciúmes etc. Não é não sentir sentimentos ruins, angustias, mas sim reconhecê-lo e lidar com eles, com sabedoria e sensatez. Faz você controlar suas emoções e logo, sua vida em geral.

Referências Bibliográficas:

VIEIRA, P. Os 5 pilares da inteligência emocional e como aplicar. 2020. FEBRACIS Coaching Integral Sistêmico. Disponível em <https://febracis.com/5-pilares-inteligencia-emocional/>. Acesso em Maio/2020.
SBCoaching. Inteligência Emocional: a chave para o sucesso. 2019. Disponível em <https://www.sbcoaching.com.br/blog/inteligencia-emocional/> Acesso em Maio/2020.
DIAS, M. Inteligência Emocional: Entendendo a Inteligência Emocional. Disponível em <https://marciodiasconsultoria.com.br/inteligencia-emocional-desenvolva-se/> Acesso em Maio/2020.
BETTONI, A. C. Como o ‘Jogo do Contente’, de “Pollyana’, pode mudar a sua vida. 2017. Disponível em <https://popcultura.com.br/2017/03/20/pollyanna-jogo-contente/?fbclid=IwAR2J4zCVlEmgFDbV5difwDEys
6jR9gpv3VeV0jun7u3bgewL8EGYpseZN9Q> Acesso em Maio/2020.
IBC – Instituto Brasileiro de Coaching. O QUE É PSICOLOGIA POSITIVA? 2018. Disponível em <https://www.ibccoaching.com.br/portal/coaching-e-psicologia/o-que-e-psicologia-positiva/> Acesso em Maio/2020.

 

Cláudia Moreira

Ministra aulas de Recursos Humanos, Diversidade Cultural Brasileira, Direitos Humanos e Segurança Pública.

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