*Indicado para Gestores e Aprendizes

Existe um movimento universal e irreversível por parte das organizações, tanto do setor público como do privado, de trabalhar a gestão da diversidade dentro das instituições.
O Brasil é visto internacionalmente como um dos países com maior diversidade cultural do mundo, porém, ainda há muito a ser feito para uma boa gestão da diversidade dentro das organizações. O nosso país é composto de muitos paradoxos: ao mesmo tempo que é uma das maiores economias do mundo, também lidera o ranking de alta concentração de renda e desigualdade social.
Isso mostra que estamos muito aquém de conviver e interagir em plena harmonia com a nossa diversidade, que se traduz na prática como desigualdade social e de oportunidades. As empresas que ignoram a diversidade cultural e optam por gestões rígidas e burocratizadas, perdem seu potencial competitivo, pois é muito importante saber gerir seus recursos humanos, obtendo assim um ambiente de trabalho saudável, inclusivo, que valorize seus colaboradores e por consequência, o máximo de vantagens.
A força de trabalho se modificou principalmente no período pós guerras na Europa, quando mulheres e negros passaram a fazer parte da mão de obra do mercado e, daí em diante, transformou-se cada vez mais abrangente em dimensões de gênero, idade, etnia, classe social, região, religião, culturas etc.
Com o aumento da migração mundial, o transculturalismo passou a fazer parte da vida e das organizações e com ele, a necessidade de desenvolver competências interculturais têm ganhado cada vez mais espaço nas discussões sobre gestão de pessoas nas instituições de forma geral. E embora a diversidade no Brasil seja uma realidade, ainda há poucos esforços das organizações em gerir e incluir a diversidade cultural no nível profissional, nas políticas organizacionais e na sociedade como um todo.


As formas de compreender a realidade, seus valores e crenças exercem influência direta no contexto organizacional e por isso é imprescindível saber como geri-las, pois o contexto cultural exerce impacto direto sobre os resultados e as relações de trabalho.

A diversidade pode ser pensada de duas formas: demográficas e cognitivas (de habilidades e valores dos funcionários). Já a inclusão, pode ser definida como o sentimento de ser bem-vindo e valorizado como membro da equipe e da instituição, sendo a pertença o seu foco. Ou seja, vai além da diversidade e é concretizado a partir do gerenciamento desta, propiciando o pleno desenvolvimento das potencialidades dos indivíduos e dos grupos. Em suma, experiência de inclusão trata-se de como o funcionário percebe que está sendo tratado pela organização da qual faz parte com a suas particularidades culturais do qual pertence, como gênero, etnia, religião, orientação sexual etc.

E apesar da grande diversidade, tanto demográfica, como de habilidades, isso não garante a inclusão, uma vez que grupos minoritários continuam sendo vítimas de exclusão, isolamento e problemas de rotatividade.
Para criar um ambiente organizacional inclusivo é preciso criar um ambiente de segurança e sentimento de pertença para todos, promovendo respeito e valorização, produzindo senso psicológico individual de que cada membro está sendo de fato incluído.
Desta forma, é necessário favorecer o compartilhamento de recursos e ideias de cada membro do grupo e trabalhar a representação de pessoas diversas no grupo, em todos os níveis. É preciso preparar as equipes para lidar com as diferenças e os conflitos e uma forma de fazer isso é realizando capacitação, através de formação continuada, como workshops sobre diversidade, sensibilização e coping, pois quando os membros manifestam comportamentos inclusivos, isso facilita a aprendizagem, como também aumenta a satisfação no trabalho, comprometimento e desempenho, melhorando o bem estar e qualidade de vida de todos os envolvidos e em consequência, dos serviços oferecidos.
Além disso, é imprescindível proporcionar a comunicação clara, ou seja, oportunidade para todos falarem e ouvirem, o que leva a condução da diversidade para a inclusão, garantindo que as características das pessoas e seus grupos sejam respeitadas, valorizadas e utilizadas, aumentando consideravelmente a efetividade e satisfação nos empregados e clientes.
Referências
Torres, C. V., & Pérez-Nebra, A. R. (2004). Diversidade cultural no contexto organizacional. Psicologia, organizações e trabalho no Brasil. Porto Alegre: Artmed, 443-463.


Camila Messali 
Ministra aulas de Direitos Humanos e Segurança Pública; Diversidade Cultural  Brasileira; O Mundo do Trabalho; Saúde e Qualidade de Vida.