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Viver a empatia nesta época de pandemia | CEPROESC

Quando iniciamos um ano novo, fazemos muitas perspectivas, normalmente de sucessos, conquistas e bons momentos. No início deste ano não foi diferente. Todos, sem exceção, fizemos planos, estabelecemos metas e sonhamos com um ano mais promissor que o anterior. No entanto, não contávamos que seríamos surpreendidos de uma maneira meio surreal e apavorante, com uma parada mundial imposta, quebras de rotinas, mudanças de planos e distanciamento social (que acredito que nem nos nossos maiores pesadelos imaginávamos experimentar).

Mas foi assim! Tivemos que nos reorganizar, recriar métodos de trabalho e de contato com o outro, utilizar da tecnologia como uma das armas mais poderosas no combate a solidão de nos separarmos daquele ente querido; no lidar com a angústia de termos que desenvolver uma nova maneira de realizarmos o nosso trabalho executado cotidianamente de maneira bem semelhante; e na busca de alternativas para lidarmos com nossas fragilidades, medos e inseguranças que se intensificaram e se confundiram com esta nova realidade.

E com tudo isso tivemos que OBRIGATORIAMENTE nos apropriarmos de uma habilidade há muito tempo discutida, estudada, divulgada, porém não colocada em prática na mesma proporção: a EMPATIA. E porque digo, obrigatoriamente? Porque somente sendo empáticos poderemos contribuir para o fim desta pandemia, salvar aqueles que amamos e de fato fazer a nossa parte.

A palavra empatia deriva da palavra empatheia, que no grego significa “paixão”, e se considerarmos o significado de paixão como consideração, atenção, dedicação, seria sim o sentimento de compreender o outro (PEZZOTTI, 2020).  O significado de empatia é decifrado quando conseguimos ultrapassar as fronteiras de nosso ego, esquecendo o “eu” como medida de razões e virtudes (SBCoaching, 2018).

Podemos perceber que há muitos se dedicando ao outro, especialmente no mercado de trabalho, onde grandes empresas tem desenvolvido slogans envolvendo esta postura. A Havaianas, por exemplo, foi uma marca que se apoiou na empatia para enfrentar a crise do Corona vírus, segundo afirmou Fernanda Romano, diretora global de marketing da Alpargatas, “A gente preparou uma plataforma de comunicação de se colocar no lugar dos outros, para convidar as pessoas a exercitar a empatia. Porque se está chato para você, está chato para todo mundo. Seja gentil” (SBCoaching, 2018).

Aproveite este momento para reconstruir vínculos, se aproximar daqueles que moram contigo, busque maneiras de transformar os momentos comuns em saudáveis e felizes. E mesmo distante fisicamente dos demais aproprie-se da tecnologia para manter e fortalecer os relacionamentos, pois podemos neste momento tão difícil demonstrar àqueles que amamos o quanto são importantes pra nós.

É válido preenchermos nosso tempo livre com conteúdos positivos, desenvolver atividades que nos dê prazer, ter momentos para descarregar a energia acumulada, fazendo nossos hobbies e até conhecendo novos, é um momento de redescoberta, perceber que gostamos de coisas que até então não tínhamos apreciado ou conhecido. Perceber-se um habilidoso cozinheiro, um artista criativo ou até mesmo um exímio escritor.

E por falar em talentos, um destaque vai para a atuação dos músicos e artistas nacionais que têm desenvolvido apresentações em aplicativos proporcionando o entretenimento do público, aproveitando do carisma e do sucesso para arrecadar alimentos, produtos de limpeza e higiene e inúmeras outras necessidades, levando em conta as condições das famílias mais carentes do nosso país. Podemos perceber que muitos se sensibilizaram com a situações de necessidades dos mais desfavorecidos, e se apropriaram desta prática da caridade, seja pequenos grupos, religiosos ou não, setor público e sociedade civil, e tem desenvolvidos campanhas significativas de arrecadação de alimentos, dedicando um pouco de si aos demais.

Mas tem uma frase que lembraremos sempre ao se falar e pensar neste momento de pandemia, e que remete muito esta questão da empatia e de dedicação ao próximo, é ela: “Nós estamos aqui por você. Fique em casa por nós”. Esta frase tão famosa nas bocas dos profissionais de saúde, mostra a importância de nos colocarmos no lugar do outro, e o quanto este respeito ao outro pode salvar vidas. Mas será que todos estão agindo com tamanha responsabilidade? Posso dizer, com enorme tristeza, que não.

Muitos continuam egoístas, insensíveis e incapazes de perceber o quanto sua atitude está prejudicando aos demais. Muitos continuam comemorando, se reunindo com amigos, fazendo aglomerações e se esquecem que esta escolha tem matado pessoas e fazendo o vírus se propagar. Será que nem depois deste momento cruel que estamos vivendo, onde famílias não reconhecem o familiar morto para se livrarem das dívidas do plano de saúde, onde médicos precisam escolher entre quais vidas irão salvar, onde pessoas são colocadas em caminhões frigoríficos até poderem serem enterradas, onde famílias não podem velar seus entes queridos, onde aqueles que morreram são jogados em valas comuns por não ter caixão suficiente para todos, nós seres humanos não teremos a serenidade e a sabedoria para considerar a vida alheia e tratar a si mesmo e a todos com dignidade, carinho e respeito?

Precisamos aproveitar este momento de reclusão, de isolamento, para um processo de autoconhecimento, reconhecendo nossas fragilidades, nossas angústias e aceitar que podemos fraquejar, e que isso também é permitido. Perceber neste momento, o que tem de valor para nossas vidas e para nossos relacionamentos, pois teremos a possibilidade de reconstruir uma história, pós esta pandemia, reconhecendo que não somos onipotente e que numa questão de segundos tudo pode se esvair de nossas mãos, sem que possamos ter controle e escolha. Tente, por outro lado, dividir esta dor, atenuar este machucado e manter conversas otimistas (SBCoaching, 2018).

Que possamos valorizar as coisas simples da vida, a importância de um olhar, o aconchego de um abraço, um afago, uma mensagem de amor, um cuidado, um carinho, tudo que drasticamente foi tirado de nós. Que possamos olhar para tudo isso e tirar boas experiências, novos métodos de trabalho, outro incentivo para o estudo, uma nova habilidade desenvolvida, um ponto fraco fortalecido. Que possamos ser um profissional mais criativo e menos acomodado, um filho mais presente e menos impaciente, uma mãe mais atenciosa e menos ansiosa, um companheiro mais carinhoso e menos desconfiado, um amigo mais leal e menos ausente, uma pessoa melhor, um ser humano mais sensível e menos egoísta.

Enfim que este momento tenha servido para sermos melhores, pois como diz o dito popular, “quem não aprende no amor, aprende na dor”, que esta dor seja sinônimo de crescimento, desenvolvimento e de deixar pra traz tudo aquilo que não nos acrescenta e não nos fortalece. Que cada um faça o que tiver que fazer por si próprio e ofereça seu melhor ao outro. Esta atitude já vai provocar um bem-estar grandioso entre os envolvidos, e tudo o que vier como consequência vai ser um bônus considerável (SBCoaching, 2018).

Enfim, o valor que esta pandemia tem nos ensinado, é de que somos todos iguais e nada que possamos TER nos livrará deste mal, mas temos a possibilidade de nos salvar, se agirmos com humanidade e respeito à vida e ao outro. Chegou o momento de tentarmos mudar, e a partir daí a vida passará a ter um novo e mágico significado.

Referências Bibliográficas:
PEZZOTTI, R. Empatia domina tom das campanhas durante pandemia de covid-19. São Paulo, 2020. Disponível em <https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2020/04/14/empatia-domina-tom-das-campanhas-durante-pandemia-do-coronavirus.htm?cmpid> Acesso em Maio/2020.
SBCoaching. EMPATIA: conceito, sinônimos, exemplos e dicas para ser empático. 2018. Disponível em <https://www.sbcoaching.com.br/blog/empatia/> Acesso em Maio/2020.

Cláudia Moreira
Ministra aulas de Recursos Humanos, Diversidade Cultural Brasileira, Direitos Humanos e Segurança Pública.

 





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